A vida na Terra é complicada. A gente precisa cuidar do Espírito, mas a matéria também é exigente. Meu coração pede conexão com o plano maior, no entanto, minha razão e meus instintos animais dizem que preciso cuidar do físico. Está instalada a dor e a confusão. Não sou uma pessoa perseverante, na verdade, não sei que tipo de pessoa sou, sei apenas o que não sou. Isso é minha baixa estima falando, sempre acho que posso ser melhor e nunca estou satisfeita com o que de fato sou, porém o que sou?
Antes de tudo, sou Espírito, a essa conclusão já cheguei. Espírito em evolução, que a recém acordou para a verdadeira vida e, portanto, tem um longo caminho a seguir ainda. Meu lado racional me gera ansiedade por saber o tanto que ainda tenho que percorrer. Meu lado animal, instintivo, ainda grita, querendo ser saciado, meu lado espiritual, coitado, sofre buscando uma direção a seguir. Não há regras e nem instruções certeiras. Ninguém apareceu para me dizer: faz assim, faz assado.
Sou amparada por amigos do plano espiritual, mas minha pequenez ainda me faz ser meio surda as suas inspirações, porque é isto que recebo, inspirações. Meu livre-arbítrio sempre é respeitado. Se me deixo dominar pela ansiedade e a dúvida, eles deixam eu vivenciar esse processo sem interferir. Somente quando saio desse estado de pura materialidade é que eles conseguem me ajudar, através do envio de fluídos de amor, carinho, cuidado e cura.
Estes, diga-se de passagem, estão sempre à disposição, eu é que não consigo estar sempre sintonizada para recebê-los. Quando eu era mais jovem parecia mais fácil me manter equilibrada e aberta às coisas da alma. Hoje já sofro mais, pareço não ver evolução, mas talvez agora eu esteja de fato trabalhando pelo meu melhoramento. Antes eu apenas observava, agora estou tentando exercitar e como é difícil. A vida foi me batendo e me dizendo: olha a dor a tua volta, olha a tua dor, te olha.
Antes eu queria ajudar a humanidade, hoje eu entendo que primeiro preciso me ajudar, me equilibrar, que árvore doente não dá bons frutos para sempre, chega uma hora que ela precisa se regenerar para voltar a frutificar com força e saúde. Estou doente da alma e isso reflete no meu corpo. A minha fome espiritual, minha sede e incapacidade de absorver o que vem do alto, se refletem no meu lado material. Angustia, baixa-estima, ansiedade, tristeza.
Uns vão dizer que não posso ser assim, tão negativa, mas é reconhecendo esse meu lado, é dizendo que não está tudo bem, que eu cresço e busco o que vai me fazer melhorar. A cura as vezes é amarga e está tudo bem. Não somos só luz, temos muita escuridão que escondemos dentro da gente, fingimos que ela não existe e assim ela vai nos consumindo. Eu digo que não quero mais deixar a escuridão me tomar. Eu quero luz, mas para chegar nela, vou ter que olhar pra minha própria escuridão.
Vou ter que me reconhecer orgulhosa, vaidosa, egoísta, preguiçosa, glutona, ingrata, para saber reconhecer o que é a humildade, o amor, a caridade, o equilíbrio. A luz está aqui dentro, eu sinto ela me acalentando e consolando, eu sinto seus benefícios, só ainda não consigo deixar ela brilhar sempre. Durante tanto tempo fingi que minha escuridão não existia, que ela grassou, ganhou campo e está me ajudando a ver o quanto a luz é boa, o quanto preciso dela.
Luz, escuridão, dois aspectos que em equilíbrio são capazes de moldar universos, mas em desiquilíbrio causam dor. Minha dor não é culpa de mais ninguém a não ser eu mesma. O outro não tem culpa da forma como eu recebo o ataque dele. Ele também está aprendendo a lidar com suas dificuldades e cabe a mim entender e filtrar isso, mas não é fácil. Somos comunidade, coletividade, a opinião e a palavra do outro nos causa dor, porque não somos caridosos e amorosos o suficiente para entender a dor do outro.
Quero aprender, quero que a luz e a escuridão em mim aprendam a conviver e a criar, é assim que a vida evolui, a dor faz o homem valorizar o amor. O pão da alma parece duro de engolir, mas é nutritivo e quando começa a ser digerido, nos dá vida e energia.
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